Relações com a sociedade e a história
O sentido de um texto, para a semiótica, pode ser construído por dois tipos de procedimentos:
- procedimentos linguístico-discursivos;
- relações com a sociedade e a história.
As relações com a sociedade e a história que desencadeiam a geração de sentido nos textos podem ser examinadas de duas maneiras:
- analisando a organização linguístico-discursiva do texto, principalmente da semântica do discurso, ou seja, de seus percursos temáticos e figurativos que revelam, de alguma forma, as determinações sociais inconscientes;
- examinando as relações intertextuais e interdiscursivas existentes entre os textos e os outros textos com os quais dialogam.
Podemos dizer que um texto dialoga com todos os outros textos em espaços/tempos diferentes, o que torna praticamente impossível sua análise e construção de sentidos. Assim, para tornar viável a análise e construção de sentidos é necessário estabelecer três pilares a partir das quais poderemos iniciar a análise:
- É possível fazer um recorte no contexto sócio-histórico e considerar apenas alguns dos diálogos entre o textos, de modo que o escopo da análise seja delimitado;
- A análise que se faz de um texto nunca é a única possível, pois o analista sempre pode fazer um outro recorte específico, visto que as possibilidades de diálogo de um texto com outros no tempo/espaço são variadas;
- Apesar de variadas, as possibilidades de diálogo e, consequentemente, de leitura de um texto não são ilimitadas, pois:
- o texto tem uma organização linguístico-discursiva coercitiva, que delimita as leituras possíveis;
- o texto traz pistas dos recortes sócio-históricos, indicando certas direções, o que também cerceia a quantidade de leituras possíveis.
Para estabelecer diálogos de um texto com outro texto, deve-se utilizar os mesmos métodos e princípios que foram usados na análise individual de cada texto. Só então poderemos perceber se há concordância ou discordância na conexâo dialógica entre ambos.
Barros utiliza como exemplo de análise o conto Fita Verde no Cabelo, de Guimarães Rosa, que pode ser lido clicando aqui. Nos primeiros parágrafos há um diálogo de conformidade narrativa e discursiva com Chapeuzinho Vermelho, que vai se transformando em desconformidades e discordâncias.
Referências
BARROS, Diana Luz Pessoa de. Estudos do discurso: semiótica discursiva. In: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à linguística: princípios de análise. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2004. p. 187-213.
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